
Quem ouve a palavra “chibolete” pode ser inclinado a pensar, como eu fui, em “chicle de bola”, mas o termo não tem nada a ver com isso. “Chibolete” é uma palavra da língua hebraica que significa “espiga de milho”. Ela aparece na Bíblia em Juízes 12.6, no meio de uma história muito interessante. O povo de Israel andava desunido e afastado de Deus naqueles tempos, e essa desunião fez surgir uma peleja entre a tribo de Efraim e os homens da região de Gileade, liderados por Jefté. Os gileaditas venceram a disputa e assumiram o controle das passagens, no vale do rio Jordão, que conduziam ao território de Efraim. Assim, qualquer fugitivo efraimita que quisesse entrar ou sair de seu território pelas fronteiras do Jordão precisaria passar pelo posto de guarda montado por seus inimigos vencedores - os homens de Jefté.
Mas... como saber se a pessoa que pedia passagem era efraimita (inimigo) ou gileadita (amigo)? Afinal, os dois grupos eram descentes de José, e as semelhanças físicas eram inevitáveis. O jeito simples encontrado pelos homens de Jefté para descobrir “quem era quem” foi ordenar aos que pediam passagem que pronunciassem uma palavra específica: “Chibolete”. Os gileaditas fariam isso com muita tranquilidade, mas os efraimitas, por causa de seu dialeto regional, enrolavam a língua e só conseguiam pronunciar “Sibolete”. Quem não conseguia falar direito acabava denunciando sua identidade inimiga e era condenado à morte.
Quando leio essa história, lembro-me de outra pessoa que foi reconhecida por seu jeito de falar: Pedro. Depois de negar que conhecia Jesus por duas vezes, Pedro ouviu dos que com ele conversavam: “Verdadeiramente, és também um deles, porque o teu modo de falar o denuncia” (Mateus 26.73). E, pensando em Pedro e na história do “Chibolete”, me pergunto: o que será que nosso modo de falar tem testemunhado a nosso respeito? É triste ver que muita gente que professa a fé evangélica tem um modo de falar totalmente incompatível com o ensino bíblico. Pela Escritura, somos instruídos a cuidar não apenas do vocabulário que usamos (nada de “palavras torpes” - Efésios 4.29), mas também do conteúdo de nossas conversas, as quais devem evitar a mentira, a malícia, a maldade, a impureza, a obscenidade, a imoralidade (Efésios 4.31 – 5.7). E então... como é que você se identifica ao falar?
Que o Senhor nos ajude a ter um vocabulário puro e uma conversa sadia, de modo que, ao falar, sejamos seguramente identificados como filhos da Luz!
Em Cristo,
Rev. Márcio Roberto Alonso
Igreja Presbiteriana de Cidade Ademar


Devocionais


